DE RUÍNA A PATRIMÔNIO

Ponte Torta

A aplicação do conceito de “zeladoria” na restauração física e social que transformou uma antiga travessia sobre um rio, muitas vezes em vias de demolição, em um monumento à memória da história oficial e popular de Jundiaí. Construída com 50 mil tijolos entre 1886 e 1888, a chamada Ponte Torta foi o alvo do projeto implementado pela arquiteta e urbanista entre 2014 e 2015 abrangendo técnicos municipais, moradores voluntários, especialistas e até estudantes e crianças.
Esse renascimento da função simbólica dessa construção no projeto foi acompanhado pela redescoberta da industrialização têxtil e cerâmica da cidade no final do século XIX, do crescimento da malha urbana (incluindo o caminho em curva de nível na topografia central também chamado de “rua Torta”) e uma inesperada quantidade de manifestações culturais e sociais muito vivas sobre o tema.

Elemento cultural

O projeto técnico na antiga ponte foi associado a uma atribuição de valor de pertencimento da comunidade. E ao lado das pessoas somaram-se manifestações como um bloco carnavalesco com seu nome, do século 21, uma história em quadrinhos sobre a luta contra sua demolição, da década de 1980, as réplicas ou imagens usadas no programa municipal de artesanato e até o relançamento “premium” de uma clássica cachaça com seu nome da segunda metade do século XX.

Ponto de referência

O impacto do projeto na comunidade local foi materializado na grande festa de entrega do monumento, no 360º aniversário de Jundiaí como vila colonial, em 14 de dezembro de 2015. E passou a ser periodicamente ocupado por eventos culturais.

Itinerância

Em um conteiner móvel, a antiga ponte literalmente rodou pela cidade em oficinas abertas sobre a mudança das construções de taipa para tijolos (esta regada a polenta), a invisibilidade dos escravos na história ferroviária, as distantes ocupações de moradia sobre o leito de antigas ferrovias ou as lembranças de filhos levando refeições para os pais nas fábricas. Da região central ao extremo oeste, passando pela Festa da Uva, a ponte chegou às pessoas e estas se reconheceram nela.